Author: maristela
•Domingo, Novembro 22, 2009






Quem sabe postando estas fotos de gramados em rosa e aquele gramado jardim arco-íris a semana não começa diferente, mais radiosa, mais iluminada?
Recebi da minha amiga Eloá Helm um mail várias fotos lindas destes shiba sakura, gramados cobertos por diferentes tons de rosa, do mais forte ao mais tênue, que fazem as pessoas, em seus caminhos, andando respeitosamente em meio a esta festa sob os pés, pareçam num campo do sonho.
Aproveitem.


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Author: maristela
•Sábado, Novembro 21, 2009


Desde que conheci o blog Flaviavivendo em coma tenho acompanhado Odele e a cada dia a admirado mais. Estive em sua casa, vi o quanto esta mãe atraiçoada não pela vida mas por gente irresponsável e ganaciosa transforma a dor em ação. Quando lá estive, a primeira coisa que Odele me disse, quando conversávamos sobre Flavia, foi a saudade que sentia de ouvir a voz da filha. Hoje, recebi por mail, a notícia de que Época fez uma matéria sobre o caso de Flavinha e a batalha permanente de Odele para evitar que outros passem pelo mesmo sofrimento. E a saudade da voz de Flavia é o gancho principal desta reportagem.
Minha ressalva à matéria é que em nenhum momento tenha sido citada a Jacuzzi, fabricante do ralo de piscina que sugou os cabelos de Flavia levando-a ao coma vigil. Há, claro, na grande mídia, um medo diante do provável patrocinador, um respeito servil aos poderosos que criaram e mantêm uma rede de aço que os libera até do julgamento dos juízes que poderiam fazê-los pagar por suas arbitrariedades.
Embora conheça os bastidores das chamadas mídias, não posso deixar de lamentar que Época, que faz uma matéria importante sobre um acontecimento importante como este, que pode ser realmente de um jornalismo útil, deixe de citar a Jacuzzi.
Como não tenho rabo preso com ninguém e não sou empregada de qualquer midia poderosa, eu digo com todas as letras que a Jacuzzi é a empresa bandida que não ganhou punição e o faço por conta e risco, sem qualquer consulta à Odele, simplesmente por minha consciência jornalística e de cidadã.
A matéria está aqui para quem quiser ler, já que, até este momento, não está na versão online da Época.
O mérito da publicação é todo de Odele, incansável no abastecimento do blog que estabeleceu uma rede de indignação em volta do mundo, mas, acima de tudo, uma rede de amor e solidariedade.
Parabéns, Odele.
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Author: maristela
•Quinta-feira, Novembro 19, 2009


Ainda temos salvação! Juca Chaves tem um programa de entrevistas.
Mesmo que seja na internet. Mesmo que seja na Uol. Não faz mal.
O que vale é que o (ái, meu deus) Menestrel Maldito dá de goleada até no pessoal do CQC. Com aquela fleuma que faz com que diga coisas mais absurdas mal e mal movendo o narizinho que Pitanguy nenhum botará a mão jamais (leia-se jamé).
Pois, a bem da verdade, eu nem sabia do programa.
Andei fuçando no twitter e de uma conta fui a outra e eis que acho um Juca Chaves por lá. Primeiro, achei que era um fake. Depois, achei que tinha a ver. Quando vi a chamada pro programa, corri no link e pensei, com meus dois neurônios abalados pelas chuvas:se não é o próprio, é um clone bem feitinho.
Então, assisti a entrevista com o mala do Marcelo Tass (ok, admito toda minha inveja por ele se dar bem e eu não) e fiz como qualquer fã à moda antiga, mandei comentário, escrevi para o Juquinha, avisei que ia postar, toda esta frescura.
Mas sou sincera, sabe? Ele é bom, sempre foi. Compondo, atuando no palco, enchendo o saco de jornalista (sim, já o entrevistei há uns dois séculos e meio, quando eu era "crítica de teatro") e mesquinhando convite para show - e tripudiando em cima do pobre repórti que não ganha verba de seu empregador nem do produtor e ainda tem de ir ao teatro! Fecha observação mimimi.
O que falta: Como é um programa de rede virtual, deveria disponibilizar (palavra nojennnnta) o embed e o link (não achei), ser jogado no youtube (não está), e a página parece muito comprimida. O Juca tem tanta coisa para contar que o site merecia um tratamento gráfico melhor, mais informação, ser mais amigável com o caro navegante.
Então, entrem no site, assistam aos programas, sigam o cara no twitter e incomodem bastante porque, afinal, ele tem a Yarinha que é uma mãe pra ele e segura todas.
E não deixem de observar o estilo pé descalço que consagrou o hoje desaparecido Luiz Caldas. Claro que pés muito mais brancos e quiça limpinhos que Juca acaricia sensualmente durante as entrevistas.
Se eu quero ser entrevistada por ele? Ah, gente! Quequiéisso?
Clica e vai:

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Author: maristela
•Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Tirando o fato de que quem fez o clipe deve beber nas águas do Stephen King, e de que o entusiasmo da música bate de frente com a violência final da história (tá bom, tá bom, contei!), eis um som gostoso que gruda na boa na cabeça da gente.



Nestes links há mais informação sobre essa garotada que quer tanto fazer sucesso que deixa baixar suas criações "digrátis". Eu já baixei.

Jonathan


selo
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Author: maristela
•Quinta-feira, Novembro 19, 2009
Mais uma iniciativa desta moça corajosa.
Foram sete perguntas. A Raul Castro e a Barack Obama.
Obama respondeu.

Respuesta de Barack Obama a Yoani Sánchez
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Author: maristela
•Quarta-feira, Novembro 18, 2009


No torvelinho (ái, baixou Clodovil nimim!) de blogs que a gente mal tem tempo de conhecer e seguir (alô, amigos! isso equivale a pedido de perdão!), alguns nos pegam sem dó nem piedade. Caso do Blogs do Além, que conheci na edição impressa da Carta Capital e hoje é um dos motivadores pra eu ler a revista do Mino Carta.
O autor é um publicitário, gaúcho, um dos fundadores da Dez Propaganda , que, ao contrário de muito "escritor" ou de "historiador" que chupa os conteúdos de enciclopédias, dá uma maquilada e assina embaixo, cria de fato uma história saborosa original.
Uma das minhas lutas cotidianas é tentar extrair, até do ato de lavar a louça, alguma coisa que lhe dê um significado maior, nem que seja para rir, nem que seja para chorar.
Por isso minha admiração por todos os que, como Knijnik, conseguem superar nosso dia a dia e fazê-lo maior a partir do passado.
Vale a pena acompanhar o Blogs do Além. E o Vitor Knijnik também está no twitter.
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Author: maristela
•Sexta-feira, Novembro 13, 2009



Desde 2006 desfruto do luxo de contar com dois assessores pessoais que me acompanham da manhã à noite, sempre absolutamente atenciosos e vigilantes e sem que eu precise mais que um olhar e duas palavras para mobiliza-los. Nada cobram, a não ser comida e água e um pouco de lazer. Estes acompanhantes extraordinários vivem, literalmente, a meus pés, lugar que só deixam quando eu os puxo para meu colo. O que faço com freqüência, porque eles merecem.
Dodô e seu filho Occhi têm acesso a todo e qualquer local de minha casa e, na casa de meus pais, são tratados do mesmo modo: são da família. Estão comigo de segunda a segunda, sem feriados ou domingos, andam por toda a cidade no carro, nem sempre silenciosos como seria o ideal Mas ninguém é perfeito. Quando tenho de me afastar deles, fico chateada e ansiosa para reencontrá-los e não me envergonho de dizer que muitas vezes deixo de sair para não ter de deixar esta dupla sozinha.
Em nossas andanças diárias pelo Mont Serrat, temos feito muitas amizades e nos sentimos bem-vindos por aqui, onde aportamos faz 5 meses e pouco. Um destes amigos, Bob, não é o que se pode chamar de um cara muito cuidadoso ou cuidado, vive coçando suas pulgas e come de favor, já que os que o abrigam estão preocupados com seus negócios ilícitos. Isso, porém, não tira deste assessor arrojado, que cruza a rua em meio aos motoristas insanos, a permanente disposição para nos acompanhar em parte dos passeios.
Outro amigo da mesma área é Beethoven, um tanto discursivo, gosta muito de ficar se exibindo, andando para lá e para cá, cheio de si, porque ninguém o acompanha. No entanto, também é gente boa , acessível ao meu pessoal, um tanto volúvel, é verdade, porque adora trocar de amigo no meio do caminho.
Na quinta-feira, quando li a nota sobre o casal paulista que caçava, engordava e matava cães e gatos para vender em restaurantes coreanos tive vontade de me transformar, imediatamente, no Rambo. Olhei para meus assessores, deitados junto de mim, neste escritório minúsculo em que tenho de cuidar para onde mexo a cadeira a fim de não bater em Dodô e encolho os pés a fim de não cutucar Occhi, dormitando sob a mesa. Minha revolta se misturou à minha impotência. Como é que pode alguém fazer isso?
Ouvi de um amigo: fora do contexto cultural, a gente não entende. Retruquei: em nome da cultura cortam clitóris de meninas até hoje. Ah, disse ele, não sem razão: na Índia, vaca é sagrada, mas adoramos um bifinho. Ao que eu rematei: mas quem pode fazer maldade com um ser que nos recebe sempre feliz, uma ou 12 horas depois de ser deixado só, lambe nossas mãos quando choramos e nos convida a sair da depressão com um simples aceno de cauda?
O que leva uma pessoa a desrespeitar um cão ou um gato ou um pássaro? Minha mãe até agora chora ao falar na reportagem em que viu um maldito arrancar o coração de uma cobra viva para colocar na brasa! Mas continuamos adorando comer siri, caranguejo, aquela lagosta que estava fazia pouco nadando no aquário e agora é mergulhada na água fervente sem dó nem piedade. Iguaria! Não é para matar a fome, não! É iguaria! É luxo! É para satisfazer o egoísmo, a sensação de ser mais poderoso e “inteligente”, capaz de aprisionar e matar por puro prazer. Sim! Puro prazer, satisfação dos sentidos.
Minha mãe contou, ainda ontem, que um dia tentou matar uma galinha como minha avó fazia, torcendo-lhe o pescoço após calcar a unha do dedão em determinado ponto do pescoço. Não conseguiu. Quase deixou visitas sem almoço, não fosse a agilidade de uma prima, que pegou a penosa e em segundos a deixou pendurada na cerca, batendo as asas, agonizando, para logo ser pelada com água em ebulição, as penas arrancadas, aquele cheiro miserável de pele crestada. Sim! Eu, infelizmente, gosto muito de um franguinho a passarinho, de um churrasco, de uma costelinha de porco.
Desgraçadamente, nos acostumamos a isso e vamos eternamente usar a desculpa de que precisamos de proteína animal para viver. Sem falar nos empregos que a criação de gado gera, no movimento que promove no mundo das finanças e por aí vai.
Aceito meus pecados da carne, literalmente. Agora, pelo amor de Deus, vamos deixar em paz nossos companheiros de boas e más horas que, aos milhões, seguem sendo maltratados como o foi Dodô, queimada com água quente por algum podre sem alma.
Sem alma como estes desgraçados de Suzano, torturadores de animais. Sem alma como estes malditos coreanos que se atrevem a comer carne de cachorro no Brasil. Se eu pudesse, como um Rambo mais bonzinho, os deportaria para sua terra: vão usufruir de sua maldade lá, não aqui.
Nada vai acontecer. Todos já devem estar soltos. Os vizinhos dos matadores, que ficaram 3 anos quietos, mesmo sabendo o que os bandidos faziam, vão continuar na deles, os moradores do Bom Retiro continuarão jurando que não sabiam que restaurantes vendiam carne de cachorro, os coreanos comedores de cachorro e gato continuarão achando fornecedor.
Humanidade? Que piada! E nem chamar de animal a esta corja eu admito – isso seria ofender meus amigos Dodô e Occhi.
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Author: maristela
•Quarta-feira, Novembro 11, 2009
Desde 2006 não passava pela Feira do Livro. Digamos que as últimas experiências por lá foram exaustivas - durante 3 anos, como coordenadora de comunicação da Secretaria de Estado da Cultura eu e meia dúzia de gente de boa vontade demos plantão, 15 dia sou mais, sem folga, no estande oficial. O que era pra ser bom, virava pesadelo, pura obrigação. Uma que outra coisa boa, como ver amigos queridos. Mas muita pentelhação, acima de tudo, principalmente por estar representando o Governo, que cagava pra gente o tempo todo - Rigotto jamais se deu o trabalho de passar no estande onde, a bem da verdade, Roque Jacoby, em que pese exigir uma sala para "despachar de lá", poucas vezes apareceu.
Antes, eu vivi a Feira de modo mais gostoso, como repórter do Caderno Especial que o Jornal do Comércio publicava e Maria Wagner editava, nos anos de 97, 98 e acho 99. Muito gostoso, maior parte do tempo. Tirando uma péssima passagem com o então prefeito Olívio Dutra, já mamado diante de um copo de purinha, num dos bares da feira, grosseiro por natureza, dissimulado quando a assessora de imprensa, amiga querida, cuidou de amansar o bicho. Que nojo!
Este ano, passei por lá correndo, domingo, com Manu (as fotos dos guindastes são dela), para pegar um livro que ela estava esperando.
Andei pela feira com vontade de ser transparente, evitando encontrar até amigos. Hora ruim para dar explicações, especialmente sobre a cara murcha que exibo.
Mas a Feira é linda e não é meu mau humor que vai estragar esta festa.
A nota triste foi ver o xerife, aquele cara forte e ativo, que toca o sino a cada abertura de feira, há décadas, vitimado acho que por algum AVC, andando pelas aléias com aquele ar de quase ausente que ostentam os que não mais são totalmente donos de si. A ele, meu carinho. Sem fotos,porque prefiro que lembrem de sua imagem real, saudável.
Cliquem na foto desta senhora linda que apanhei no bar da feira e olhem o restante.


feira do livro 2009
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Author: maristela
•Sexta-feira, Novembro 06, 2009


Estava, ainda agora, organizando em uma pasta destas ordinárias, de plástico, documentos de trabalho de meu pai e de minha mãe. Dele, além da Carteira Profissional emitida em 1949, para A.J. Renner, os muitos carnês através dos quais descontou, durante décadas, para a previdência social. Dela, afora a carteira de trabalho, igualmente de capa dura, marron, estão duas Cadernetas de Contribuição do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários, finado IAPI. A mais antiga, “inaugurada” em abril de 1994, na Companhia de Calçados Ltda.

E ali estão, nas duas carteiras, em fotos, os dois, jovens então, com suas melhores roupas, olhando sérios para a máquina fotográfica. Waldemar e Luci. Fiquei manuseando um bom tempo estes registros que resumem horas e horas de jornadas extenuantes num papel acetinado já pardo e manchado, tentando fazer as contas para saber quanto valeriam, hoje, o CR$ 3.72 por hora que minha mãe ganhava em 1951, um ano antes de eu vir ao mundo e ela abandonar, em definitivo, sua vida de trabalhadora empregada formalmente. Ainda tentou, para o Renner que fazia apenas sapato naquela época, continuar em casa, ganhando uns caraminguás para ajudar nas despesas. Mas a forma, apoiada no estômago para trançar as tiras que compunham os sapatos em trecê, resultou em dor e uma lesão. Parou. Ficou como mãe e esposa, administradora do lar.

Meu pai, igualmente, deixaria a fábrica (onde hoje é o DC Navegantes) para, na raça, botar negócio próprio, a sapataria que ficou por quase 40 anos na Praça da Bandeira, diante do campinho de futebol na vila do IAPI. Descontou, certo de que teria uma aposentadoria nababesca, sobre vários salários, disciplinadamente. Acreditou no governo, coitado. Acreditou que as leis trabalhistas e sociais existem para proteger o trabalhador na velhice. Deu com os burros n´água, assim como minha mãe que nunca aceitou que ele seguisse pagando para ela porque achava que era dinheiro posto fora, que ambos viveriam muito bem com o que viria mais tarde. Hoje, mal ganham 1 mil reais e sei, dirão muitos, são privilegiados diante da maioria.

Só que meu pai não pôde se dar ao luxo de viver só da aposentadoria, concedida em 1982. Nem quis. Seguiu batendo prego, cheirando cola e comendo pó de lixadeira até 2006, quando voltou a ter derrames e a baixar hospital. Faz pouco, minha mãe vendeu toda a sapataria – do pé-de-moleque aos retalhos de couro. Toda uma vida de sacrifícios torrada por uma ninharia, para um colega que aprendeu muito do ofício de consertar calçados com seo Waldemar.

Guardei, deste inventário, cinco formas de ferro, de diferentes tamanhos, que encaixavam numa haste afixada na banqueta em que ele trabalhava e que serviam para enfiar os sapatos e arrumá-los. Durante minha meninice, participei, diariamente, da lida na sapataria de madeira, pintada de verde, ajudando a fazer grude para colar os papeluchos com nome do “freguês” e valor do serviço em cada sapato que, quando muito velho e feio, meu pai chamava “cascudo”.

Penso em tudo isso enquanto me dói o corpo inteiro, pela tensão nele despejada faz pouco, ao saber que, em definitivo estou sendo punida pelo Estado, este ente falsamente paterno, por um crime que não cometi. Perdi minha aposentadoria, não tenho mais o que fazer a não ser solicitar outra. A lei, no Brasil, é assim: o funcionário público e um despachante foram safados. Mas quem se ferra é a idiota que pagou a um profissional bem indicado para encaminhar a papelada e fugir da burocracia infernal que Marcelo Soares, em seu blog da MTV, ao me apoiar, tão bem exibe.

Como é previsto no caso, vou devolver o que recebi desde 2005 para os chamados cofres públicos. Para que uma massa de políticos corruptos possa ter direito a levar amigos e parentes em viagens ao Exterior, a morar, comer e beber regiamente. Para que Lula, que cinicamente se abastece num passado de pobreza, continue fazendo de conta que é um homem bondoso e justo enquanto agarra o osso do poder com unhas e dentes. Para que se cumpra, enfim, a lei. Que é absolutamente desigual e mais cega que a justiça.

foto

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Author: maristela
•Quinta-feira, Novembro 05, 2009


Este blog tem servido, acima de tudo, para meu parco e desinteressante memorialismo. Assim sendo, aqui cabem todas as maristelas, das piores às melhores. E hoje é a maristela trouxa e revoltada que se manifesta neste cavalo de religião virtual. Para falar de um assunto que já ocupou outros posts e que agora toma uma forma definitiva e absolutamente contra mim.
Longe de mim querer ser a conselheira acácia de plantão e sugerir atitudes a quem quer que seja. Pena eu não ter sugerido bom senso e desconfiança para mim mesma e ter evitado o que veio a ocorrer agora. No entanto, relato e jogo minha raiva, minha inconformidade, meu nojo total de pessoas abjetas e até de leis bizarras que punem inocentes despreparados e desesperados e ainda por cima crentes como eu fui. E, mais grave, continuo sendo.
Pois bem. O Ministério da Previdência terminou com minha aposentadoria. Ela é fruto de fraude, concluiram os doutos auditores que, com certeza, fazem vistas grossas ou incompetentes para o que não conseguem pegar. Digamos que caí na malha fina ou, quem sabe, fui denunciada por algum ex-colega mau caráter que sabia mais do que eu, ou por alguém que procurava incriminações, como nos tempos do gulag da União Soviética, já que tenho feito deste e de outros espaços um griteiro constante contra PT, Lula e sua gang. E NÃO VOU ME CALAR NUNCA.
Lamento que eu tenha dado meu fundo de garantia para colocar em dia "buracos" de pagamento de INSS ocasionados por necessários afastamentos do mundo do trabalho e que o falecido sr. Gilberto Dresch, despachante que a jornalista Cláudia Rejane do Carmo me indicou, tenha sido um canalha e provavelmente rachado este dinheiro com outro cafajeste que trabalhava no INSS e este tenha inventado períodos de trabalho que não tive. Foram 9 mil reais que se escoaram pelo ralo e ainda me criaram esta situação absurda.
Sim. Vou devolver, tostão por tostão, tudo o que recebi do INSS com esta aposentadoria cuja carta de concessão me chegou em 2005, dentro de uma legalidade que eu acreditava real. Não era. Vou fazer outro processo de aposentadoria. Agora, finalmente, estou em mãos do dr. Paulo André Solano, que sabe o que faz e é tão elegante a ponto de nem ter querido falar em proventos neste momento de extrema dor moral e física para mim.
Não dormi ontem, um segundo sequer. Fui para a reunião com o dr. Paulo André com o coração nas mãos. O prazo que eu tinha para recorrer foi perdido porque quem cuidava do meu caso simplesmente demorou 15 dias para passar todo o processo de defesa para ele, fazendo com que, desta forma, eu automaticamente não tenha a menor chance de continuar recebendo proventos pelo menos até conseguir encaminhar novo pedido de benefício e o ressarcimento deste estado bandido que só sabe tirar, nunca ser justo.
Estou enxovalhada, triste, indignada, e inútil. Questiono, agora, relações de amizade que julgava sólidas e que nem mesmo um aceno de solidariedade me deram. A estes "amigos", nem meu desprezo dou, apenas minha desilusão e meu abandono. Tudo me fere. Até o pedido de calma de minha mãe. Meu ódio é maior que tudo e não me venham com falsidade religiosa do tipo "ah, mas Deus sabe o que faz". Quem quiser me dar este tipo de mensagem, se abstenha. Não preciso de tapinha no ombro.
Agradeço aqui, de peito aberto, a quem tem poder nas mãos e me ajudou, ao menos encaminhando meu problema ao gabinete do Ministério da Previdência: o senador Sérgio Zambiasi. Ninguém mais se dignou a me mandar um "vai a merda". Nem Ibsen Pinheiro, para quem fiz campanha, nem Pedro Simon, pelas mãos de quem, num momento de crendice, me filiei ao PMDB. Não sou ninguém, mas rezem para jamais precisar de mim. Do PMDB, estou me desfiliando esta semana, até porque jamais me enviou sequer uma correspondência reconhecendo meu gesto de boa vontade - sim, porque um partido deve se orgulhar de ter Maristela Bairros e não o contrário.
Até entendo. Ibsen deve ter muitas preocupações familiares e não vai tirar de seu tempo para dar uma resposta, nem via assessoria, para uma ex-colega. Simon, bem como seus amigos que eu julgava serem meus também, nem sabe quem eu sou. NOTEM BEM. A ninguém pedi que me livrasse de qualquer problema. Apenas que me ajudasse a entender o que estava havendo. NEM ISSO FIZERAM.
Zambiasi o fez e me encaminhou a Paulo Zumpano. Me considerou como ser humano.
Agora, me resta curtir este fim de ano de pesadelo. Não me falta apoio de filhos, ex-marido, pais e alguns familiares e, claro, poucos e queridos amigos. De fome, não morrerei. Tampouco vou deixar que matem em mim minha fúria contra a injustiça e a canalhice.
Vivemos um momento absurdo neste país, em que um presidente desqualificado faz alianças com qualquer um para segurar o poder, em que uma bandida ex-guerrilheira se arvora em candidata, em que um ministro da Justiça dá guarida a um assassino. E tudo num conto de fadas que é regado a falsidades, a corrupção deslavada sem conserto.
CONTINUAREI A BERRAR CONTRA TUDO ISSO. Podem me tirar coisas materiais, mas não vão me calar. ESTÃO ME VERGANDO. MAS NÃO VÃO ME QUEBRAR.
NEM COM ESTA TORTURA MORAL DE QUE ESTOU SENDO VÍTIMA.
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